Inspire-se na experiência espiritual do Padre Elinton, da Comunidade de Bethânia (SC), que fez da peregrinação de e-bike sua jornada de fé e contemplação
Fazer o Caminho da Fé até Aparecida de bike elétrica permite superar seus 9 mil metros de altimetria com inteligência logística. O relato deste “bicigrino” (a junção de bicicleta com peregrino) demonstra como as e-MTBs da ArAltos facilitam o percurso, transformando o desgaste físico em uma jornada de oração e contemplação.
O Caminho da Fé até Aparecida impõe desafios aos peregrinos. Para o Padre Elinton Costa, sacerdote da comunidade católica Bethânia, em São João Batista (SC), e músico que utiliza as canções como ferramenta de evangelização, utilizar uma mountain bike elétrica de alta performance da ArAltos foi uma decisão de inteligência logística. Em vez de se exaurir fisicamente, ele utilizou a assistência do motor para garantir que o cansaço não silenciasse a voz da alma, permitindo que as pedaladas se transformassem em oração e entrega à contemplação da natureza. Nesta entrevista, ele compartilha como foi seu Caminho da Fé de bike até o Santuário de Aparecida.



O Caminho da Fé
“Quando a gente vai para o Caminho da Fé pequenos detalhes se transformam em grandes pregações. Coisas que na rotina diária da correria a gente não consegue observar, lá a gente consegue observar nos detalhes, contemplando a natureza, se permitindo parar um pouco, contemplar o nascer do sol, o por do sol, o frio, o calor, todos os detalhes.”
Por que o senhor decidiu fazer o Caminho da Fé pedalando em uma bike elétrica?
Padre Elinton: Eu gosto muito de pedalar, só que eu não tenho o hábito de treinar, não consigo com frequência. Eu fiz o Caminho da Fé ano passado, já com uma e-bike e esse ano, como o Caminho da Fé é muito íngreme, são mais de 9 mil metros de altimetria, a e-bike facilitou muito. Apesar de eu não ter usado os níveis mais fortes da e-bike, usei os primeiros, mas já me ajudou muito no desempenho e eu consegui trilhar todo o percurso. A e-bike é boa para quem quer aproveitar bem o percurso, mas não quer se eximir do esforço, você tem que se esforçar, porque se você não pedalar não vai, mas ela facilita para que que você consiga concluir todo o percurso sem um desgaste excessivo.
Como foi a sua jornada espiritual no Caminho da Fé?
Padre Elinton: Toda a jornada do Caminho da Fé realmente é uma experiência maravilhosa. Ela mexe muito com todos nós porque, além de experimentar a graça da superação a partir de um bom pedal, a gente pode experimentar, e experimenta, a graça de um verdadeiro retiro. São muitas partilhas, muitos encontros. E você começa a associar a superação física com a necessidade de superação espiritual. Quanto mais nos desafiamos fisicamente e percebemos que podemos ir além num pedal, mais a gente percebe que no mundo espiritual também. E outro detalhe importante é a gente nunca está sozinho. O Caminho da Fé nos mostra que sempre tem alguém disposto a nos ajudar. Mesmo que a gente não o conheça, mas Deus sempre coloca alguém disposto a nos ajudar pelo caminho.
Como foi o percurso em relação aos desafios físicos e técnicos?
O pessoal brincou comigo, quando me convidou para o Caminho da Fé, “não padre, vamos porque é tudo falso plano.” E brinquei, “realmente, são bem falsos esses planos”. Porque são 320 quilômetros, com 9 mil metros de altimetria totais, então a e-bike facilitou muito, porque nas descidas eu desligava ela, claro, e nas subidas eu usava parte da força dela. Mas eu posso dizer que ajudou muito, muito mesmo. O desafio é grande, mas a superação, o conseguir completar o percurso, é realmente maravilhoso.
Como e por que o senhor acredita que os caminhos de peregrinação transformam as pessoas?
Padre Elinton: Todo o Caminho da Fé faz com que a pessoa reflita não só a própria vida, mas perceba que ela não consegue sozinha. Por exemplo, se não fossem os carros de apoio ia faltar água pelo caminho. Se não fossem as pessoas que estivessem dispostas… quantas pessoas se machucaram e tiveram um anjo que na hora apareceu para poder ajudar. Algumas pessoas tiveram falhas na bicicleta, teve alguém que parou para ajudar. Quando a gente vai para o Caminho da Fé pequenos detalhes se transformam em grandes pregações. Coisas que na rotina diária da correria a gente não consegue observar, lá a gente consegue observar nos detalhes, contemplando a natureza, se permitindo parar um pouco, contemplar o nascer do sol, o por do sol, o frio, o calor, todos os detalhes. As vistas maravilhosas que o Caminho da Fé também nos proporciona no alto de cada montanha ou em cada descida, a experiência de liberdade nas descidas. Isso tudo faz a diferença. É impressionante. Maravilhoso.
Qual a dica que o senhor dá para os próximos “bicigrinos”?
Padre Elinton: Se você já tem o hábito de pedalar, e de pedalar uma mountain bike, vá! Vá viver com uma bike normal e viva intensamente. Mas se você não tem o hábito de pedalar, vá com uma e-bike para você aproveitar e conhecer o Caminho, e perceber que você é capaz. Outra dica, se prepare espiritualmente antes. Faça uma boa confissão, busque o seu pároco, peça orientação para ele. Coloque-se numa dinâmica de espiritualidade. E durante o caminho, não queira só superar os limites físicos. Perceba nos detalhes o que Deus lhe fala. Porque diferente de um turista, o peregrino não vai só para conhecer um lugar novo. O peregrino no Caminho da Fé não vai só para zerar uma serra. Ele vai para conhecer mais Deus, se abrir mais a Deus e sentir o cuidado de Nossa Senhora, que o ampara em cada pedalada, em cada parada. E eu posso dizer para você que cada pedalada se transforma em uma oração, porque você consegue também levar com você todos aqueles que você traz no coração e ama.



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